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VERSOS E VERSÍCULOS


 

PARECE DIFÍCIL, MAS NÃO É FÁCIL!

 

Esse pão amassado

Que eu tenho que engolir

Amanhecido, endurecido

Ainda ter que repartir

Com cinco ou seis

E mais uns três

E vem chegando o fim do mês

Tudo vai se repetir!..

 

A nota da mercearia

Pendurada dia a dia

E tem a conta da farmácia

Dos remédios que tomei

Mais o carne da faculdade

Eta! dificuldade!

Por que eu não estudei?

 

Esse pão de cada dia

Cada vez mais indigesto

Pão de dores, meus senhores!

Para o cidadão honesto!

 

Sem dinheiro na cueca

Vem vencendo o aluguel

E o telefone, se me toca

Com aquela voz de taboca

-         Cobrança da Embratel!

 

Entre o feijão e o sonho

Há um vácuo, um abismo

Entre a razão e a loucura

Muitas vezes, eu mesmo, cismo

 

Há quem lute e nunca vença

Quem trabalhe sem recompensa

E quem vença sem lutar!..

Se o trabalho dignifica

Por que minha mãe não está rica?

Se uns lucram sem trabalhar?!

 

Esse pão do "Fome Zero"

Que até hoje ainda espero

Decerto, não vou comer!

E nesses versos que componho

Faço um mundo de sonho

Bom de viver

Para não morrer!

 

Israel Santos Ribeiro

 



Escrito por doutorisa às 13h52
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ENCENAÇÃO

 

Estamos todos fingindo

Em casa, na igreja, na rua;

Vivemos todos mentindo

A verdade nem se insinua!

 

Fingimos não sentir medo,

Fingimos não ter ciúme,

Dizemos não ter segredo

Tememos que venha a lume!

 

E no palco de nossas vidas

Com as cortinas erguidas

Encenamos nosso papel...

 

Sorrimos, juramos amores,

Por trás dos panos, só as dores,

Da realidade cruel!

 

 Israel Santos Ribeiro

 



Escrito por doutorisa às 13h51
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LUA DE MINAS

 

Quando é noite ela sai no céu a brilhar

Clareando as curvas do Sertão,

E eu, poeta, me ponho a cantar

Os meus versos de sonhos e paixão!...

 

No cavalo ligeiro, a galopar

Vou correndo pra ver o meu amor

O seu beijo é gostoso de beijar

Dos favos de mel tem o sabor!

 

Linda, como o luar de Minas Gerais

Flor nascida na encosta do monte

Os seus olhos brilham como cristais

Apontando um “Belo Horizonte”!

 

Se é noite de lua, é tanta emoção,

Eu me acolho em seus braços, sonhador...

Quem me dera eu tivesse um violão

Pra cantar-lhe cantigas de amor!

 

Eu venho de longe, eu não sou daqui

Por onde andei nunca achei lugar

Mas, meu coração me prendeu aqui

Para onde irei? É melhor ficar

E em cada noite de lua, poder te amar!..

 

Israel Santos Ribeiro

 



Escrito por doutorisa às 13h50
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DESENCANTO

 

Oh! Que desencanto, tenho eu da vida!

Sou cabra da lida, não sei reclamar,

Mas essa tristeza estampada no rosto

Revela o desgosto que quer me matar!

 

Por que tenho eu que vagar nesse mundo

Como um vagabundo, sem lar, nem raiz?

Por que minha mãe não me bota no colo

Nas horas que eu choro, me achando infeliz?

 

Por que eu não vi meus sobrinhos crescendo,

Minha avó morrendo, Bibita casar?

Meu pai trabalhando em cima dum jerico

(Pobre Mundico!) pra eu estudar!

 

Cada um de nós seguiu seu destino

Meu irmão menino, escolheu o pior...

Como um passarinho preso na arapuca

A gente se encuca, morrendo de dó!...

 

E vem o Natal, Páscoa, aniversário,

Segue o calendário do início ao fim

E a gente não se encontra pra fazer a festa

A vida não presta, se eu fico assim!...

 

 Israel Santos Ribeiro

 



Escrito por doutorisa às 13h49
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CIDADÃO DO TERCEIRO MUNDO

 

Eu sou latino, mas não sou cachorro!

Quero os meus direitos!, Sou um cidadão,

Remanescente dos escravizados

E dos flagelados do Sertão!

 

“Terceiro Mundo Underground”

Aqui o bicho pega sem correr

Miséria, miséria em toda parte

A gente não tem o que comer;

Enquanto eles tomam chapangne

Nem o osso a gente pode roer!

 

Esses homens prometem e não cumprem

Parece que gostam de ver

Crianças chorando de fome

O homem plantar sem colher;

São os donos da ‘indústria da seca’

A escada que leva ao poder!

 

Mas um dia Deus vai virar o jogo

Essa terra Ele vem libertar

Consolar o seu povo que chora

E o joio, de uma vez arrancar;

E eu mesmo o verei face a face

E o ‘Sertão, então, vai virar mar!..’

 

Israel Santos Ribeiro

 

 



Escrito por doutorisa às 13h48
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UTOPIA

 

Eu quero te amar desesperadamente,

Amar-te como eu nunca amei alguém...

Amar-te na pureza de um crente

E na volúpia de um pecador, também!

 

Eu quero te amar eternamente,

Um amor cheio de sonho e esperança,

Ciúme, medo e desconfiança

E extasiar-me num desejo ardente!...

 

Eu quero te amar... Que importa o jeito?

Forremos de flores o nosso leito

E amemos tanto for mister!

 

Se eu não fui o teu amor primeiro

Que eu seja, então, o derradeiro

A embriagar-se em teus seios, ó mulher!!!

 

 

Israel Santos Ribeiro



Escrito por doutorisa às 13h46
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EU E ÍCARO

 

Como Ícaro, eu também quis voar

Altaneiro pelo ar

No azul da amplidão...

Os sonhos que eu ousei sonhar

Fizeram-me flutuar

Nas asas da ilusão!

 

Sonhar...  Sonho de um sonhador

Quando encontra um novo amor

Se esquece que é mortal;

E, igual ao jovem da mitologia,

Eu quis dar à minha utopia

Talvez, vida real!..

 

Mas...  A cera, o sol derreteu

E as asas que o amor me deu

Soltaram-se, e eu vim ao chão...

 

Não se tem limites pra sonhar

Porém, é mais seguro voar

Só na imaginação!!.

 

Israel Santos Ribeiro



Escrito por doutorisa às 13h37
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O E. T. DE COMERCINHO

 

Veja bem, não sou ufólogo

E nem tampouco cientista

Sou um contador de estórias

Que acontecem à minha vista

Como aprendi na Bahia

Com um poeta repentista

 

E nesses versos tão simples

Eu quero agora relatar

Uma estória inusitada

Que eu logrei presenciar

Na cidade de Comercinho

Tal o nome, tal o lugar.

 

Comercinho, lugar pacato,

Terra boa, hospitaleita;

Produz fumo, queijo e cachaça

E muita gente fuxiqueira

Tudo o que acontece

A gente sabe na feira!

 

No Vale do Jequitinhonha,

Lá no Estado de Minas,

Encontra-se esta cidade

Naqueles lados de Salinas

Foi lá que eu vivi uns dias,

Pregando coisas divinas...

 

Naquela cidadezinha

Aonde o tempo não passa

Dá pra contar as pessoas,

As poucas ruas e a praça;

Só não têm número as estórias

Que o povo conta, - de graça!

 

A minha amiga Rosane

Mulher de Pedro de Antão

Sabe tudo o que se passa

E o próprio Pedro, então?

Mente mais que todo mundo

Mas, é de bom coração!

 

Porém, o que vou contar

Não é mentira, não senhor!

Aconteceu mesmo, de fato!

Sim, um disco voador,

Aterrissou em Comercinho,

Todo o mundo é sabedor!

 

Veja bem, meus amigos,

Ali, naquela cidade

Aonde nada acontece

Qualquer coisa é novidade

Imaginem o frenesi

De um "OVNI" de verdade!...

 

Foi Harley, filho de Loura

Quem primeiro teve a visão

Como uma bola de fogo

Na torre de televisão

A sua mulher desmaiou

Com medo da aparição!

 

A cidade alvoroçou-se

Correram todos a ver

Aquele estranho objeto

O que viria a ser?

Os mais supersticiosos

Começaram a se benzer

 

E cada um tinha uma versão

Para o acontecimento

Uns falavam de um jeito

Num determinado momento,

E, depois, de outra maneira;

Não havia entendimento.

      

Os dias foram passando

E o mistério persistia

Na casa do Rialino

A Zenilca insistia:

  • - É um "E.T" de verdade!

Ela sempre me dizia.

 

Meu amigo, João de Zena,

Também já me garantiu

Não sabendo ele o que era,

Certa feita, ele viu

Uma coisa muito estranha

Que desceu do céu e sumiu!

 

Aquela bola de fogo

Apareceu, de repente,

Quando ele chamou a Zena

O "trem" sumiu, simplesmente;

Mas ninguém acreditou

Só porque ele é doente!

 

E a mulher de Dé Preto

Sim, o pai de Risadinha,

Também viu aquelas luzes

E deu um grito na vizinha

João de Zena garante

Isso não é mentira minha!

 

O pobre Tião Galinha

Que morava bem pertinho

Donde  o bicho aparecia

Não ficava mais sozinho

Tinha medo de se encontrar

Com o E.T pelo caminho!..

 

E "Yo que no creo en brujas"

Nem em disco voador

Olhava o céu meio cético

Como um bom observador

Achando tudo engraçado

Mas, um tanto assustador.

     

Quando eu voltava à noite

Da casa de "Seu Rosinha"

Passava junto ao cemitério

De "Seu João de Bezinha"

Eu sentia, até, confesso,

Correr um frio na espinha!

     

Não com medo dos mortos

Que não fazem mal a ninguém

É que o povo dizia

Que o tal "OVNI", também;

Aparecia entre as tumbas

Quando chegava do além

 

Mas quem veio mesmo de longe

Foi uma equipe de TV

Registrar o "furo" histórico

E tentar filmar o E.T;

E alguns universitários

Vieram aqui para ver.

 

Porém, o bicho era esperto,

Não se deixava filmar

Tentaram de todo jeito

A coisa fotografar;

Mas, ele sempre sumia

Para não se revelar

 

 

 

 

 

 

A serra de Seu Maroto

Aonde o "trem" aparecia

Virou lugar de pesquisa

E, por que não, de romaria?

Tinha gente indo e vindo

Dia e noite, todo dia!

 

Pois todos queriam ver

O bicho da cara preta

Aquela estranha criatura,

O ser de outro planeta,

Uns levavam filmadora,

Binóculo, tochas e lunetas!

 

Numa noite enluarada

O marceneiro Jandir

Conhecido como "Piaba"

Também foi lá conferir

Aquele mistério na serra

E, o que veio a descobrir?

 

 E ele foi com sua moto,

Sua jaqueta e o capacete

Chegando no alto da serra

Acendeu o farolete

E ficou lá por algum tempo

Ajeitando o seu colete...

 

Quando o povo percebeu

Aquela luz lá no mato

Saiu todo mundo às pressas

Para contemplar, de fato

O que muitos afirmavam

Não passar de um boato

 

Quando chegaram lá

Em meio à escuridão

Viram Jandir e sua moto,

Vestido de um macacão,

Com o capacete na cabeça

E uma lanterna na mão...

 

Seu Joãozinho me contou

Que também acontecia

De pessoas irem caçar

Ou fazer estripulia

Lá na torre, às escuras,

Era isso que o povo via!

 

 

 

 

 

Como lá não tem motel,

Quem quer pular o cercado

Põem as garotas no carro

Para não ser encontrado,

Vai para a serra, de noite,

Porque "mineiro come calado!"

 

Mas, a estrada é sinuosa

E os faróis chamaram a atenção

Ora sumindo no mato,

Depois, fazendo clarão,

Eram essas luzes que faziam

O povo tremer no chão!

 

Mesmo assim, continuou

A crença no "marciano"

Se apareceu em Varginha

Aqui, não seria engano

O E.T. de Comercinho

Era até atleticano!

 

Se fosse cobrar pedágio,

Decerto que o fazendeiro

Ficaria ainda mais rico

Do que no ramo leiteiro

Incentivando o turismo

E lucrando o ano inteiro!

 

Pois os artistas adoram

Visitar esses lugares

Veja bem, - Elba Ramalho,

Já viajou pelos ares

E também já foi "chipada"

Por seres interplanetares.

 

E, a Tiazinha, que viu

Numa noite meio escura

O dirigível da Globo

E foi aquela loucura

A imprensa toda alarmou-se,

Ai, meu Deus! - Quem me segura?

 

E um punhado de famosos

 Que vivem no mundo da lua

Gastando tanto dinheiro

Enquanto no olho da rua

Quantos não morrem de fome?

É a verdade nua e crua

 

 

 

 

Estaria Comercinho

Na rota dos marcianos,

"Um povo adiantado

Há alguns milhares de anos"

Que passeia pelo espaço

Inquietando os humanos?!

 

O que buscam lá na serra

Aquelas vis criaturas,

Será ouro, ou petróleo?

Por que agem às escuras,

Por que tanto interesse

Por aquelas pedras duras?

 

Por que se mostram a alguns

De uma certa maneira,

A outros, bem diferente

Será apenas brincadeira

Ou será uma ameaça

À humanidade inteira?"

 

Há quem jure em Comercinho

Ter visto o tal "invasor"

Com suas luzes brilhantes

Causando medo e pavor

Eu nunca vi, - nem acredito

Que exista disco voador!

 

Só estou cumprindo meu papel

Meu dever de cidadão

De comunicar este fato

Ao meu amigo João

Do Estado de Alagoas

Que requer informação

 

Sobre qualquer ocorrência

Por escrito ou visual

De "OVNI" ou, outro objeto

Do espaço sideral

João Caldas é do PL

Deputado Federal.

 

Irmãos, não estou mentindo

Simplesmente, adaptando

Realmente, a tudo isso,

Acabei vivenciando

E como adoro Comercinho

Lhe estou homenageando!

 

 

 

 



Escrito por doutorisa às 21h10
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