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VERSOS E VERSÍCULOS


O E. T. DE COMERCINHO

 

Veja bem, não sou ufólogo

E nem tampouco cientista

Sou um contador de estórias

Que acontecem à minha vista

Como aprendi na Bahia

Com um poeta repentista

 

E nesses versos tão simples

Eu quero agora relatar

Uma estória inusitada

Que eu logrei presenciar

Na cidade de Comercinho

Tal o nome, tal o lugar.

 

Comercinho, lugar pacato,

Terra boa, hospitaleita;

Produz fumo, queijo e cachaça

E muita gente fuxiqueira

Tudo o que acontece

A gente sabe na feira!

 

No Vale do Jequitinhonha,

Lá no Estado de Minas,

Encontra-se esta cidade

Naqueles lados de Salinas

Foi lá que eu vivi uns dias,

Pregando coisas divinas...

 

Naquela cidadezinha

Aonde o tempo não passa

Dá pra contar as pessoas,

As poucas ruas e a praça;

Só não têm número as estórias

Que o povo conta, - de graça!

 

A minha amiga Rosane

Mulher de Pedro de Antão

Sabe tudo o que se passa

E o próprio Pedro, então?

Mente mais que todo mundo

Mas, é de bom coração!

 

Porém, o que vou contar

Não é mentira, não senhor!

Aconteceu mesmo, de fato!

Sim, um disco voador,

Aterrissou em Comercinho,

Todo o mundo é sabedor!

 

Veja bem, meus amigos,

Ali, naquela cidade

Aonde nada acontece

Qualquer coisa é novidade

Imaginem o frenesi

De um "OVNI" de verdade!...

 

Foi Harley, filho de Loura

Quem primeiro teve a visão

Como uma bola de fogo

Na torre de televisão

A sua mulher desmaiou

Com medo da aparição!

 

A cidade alvoroçou-se

Correram todos a ver

Aquele estranho objeto

O que viria a ser?

Os mais supersticiosos

Começaram a se benzer

 

E cada um tinha uma versão

Para o acontecimento

Uns falavam de um jeito

Num determinado momento,

E, depois, de outra maneira;

Não havia entendimento.

      

Os dias foram passando

E o mistério persistia

Na casa do Rialino

A Zenilca insistia:

  • - É um "E.T" de verdade!

Ela sempre me dizia.

 

Meu amigo, João de Zena,

Também já me garantiu

Não sabendo ele o que era,

Certa feita, ele viu

Uma coisa muito estranha

Que desceu do céu e sumiu!

 

Aquela bola de fogo

Apareceu, de repente,

Quando ele chamou a Zena

O "trem" sumiu, simplesmente;

Mas ninguém acreditou

Só porque ele é doente!

 

E a mulher de Dé Preto

Sim, o pai de Risadinha,

Também viu aquelas luzes

E deu um grito na vizinha

João de Zena garante

Isso não é mentira minha!

 

O pobre Tião Galinha

Que morava bem pertinho

Donde  o bicho aparecia

Não ficava mais sozinho

Tinha medo de se encontrar

Com o E.T pelo caminho!..

 

E "Yo que no creo en brujas"

Nem em disco voador

Olhava o céu meio cético

Como um bom observador

Achando tudo engraçado

Mas, um tanto assustador.

     

Quando eu voltava à noite

Da casa de "Seu Rosinha"

Passava junto ao cemitério

De "Seu João de Bezinha"

Eu sentia, até, confesso,

Correr um frio na espinha!

     

Não com medo dos mortos

Que não fazem mal a ninguém

É que o povo dizia

Que o tal "OVNI", também;

Aparecia entre as tumbas

Quando chegava do além

 

Mas quem veio mesmo de longe

Foi uma equipe de TV

Registrar o "furo" histórico

E tentar filmar o E.T;

E alguns universitários

Vieram aqui para ver.

 

Porém, o bicho era esperto,

Não se deixava filmar

Tentaram de todo jeito

A coisa fotografar;

Mas, ele sempre sumia

Para não se revelar

 

 

 

 

 

 

A serra de Seu Maroto

Aonde o "trem" aparecia

Virou lugar de pesquisa

E, por que não, de romaria?

Tinha gente indo e vindo

Dia e noite, todo dia!

 

Pois todos queriam ver

O bicho da cara preta

Aquela estranha criatura,

O ser de outro planeta,

Uns levavam filmadora,

Binóculo, tochas e lunetas!

 

Numa noite enluarada

O marceneiro Jandir

Conhecido como "Piaba"

Também foi lá conferir

Aquele mistério na serra

E, o que veio a descobrir?

 

 E ele foi com sua moto,

Sua jaqueta e o capacete

Chegando no alto da serra

Acendeu o farolete

E ficou lá por algum tempo

Ajeitando o seu colete...

 

Quando o povo percebeu

Aquela luz lá no mato

Saiu todo mundo às pressas

Para contemplar, de fato

O que muitos afirmavam

Não passar de um boato

 

Quando chegaram lá

Em meio à escuridão

Viram Jandir e sua moto,

Vestido de um macacão,

Com o capacete na cabeça

E uma lanterna na mão...

 

Seu Joãozinho me contou

Que também acontecia

De pessoas irem caçar

Ou fazer estripulia

Lá na torre, às escuras,

Era isso que o povo via!

 

 

 

 

 

Como lá não tem motel,

Quem quer pular o cercado

Põem as garotas no carro

Para não ser encontrado,

Vai para a serra, de noite,

Porque "mineiro come calado!"

 

Mas, a estrada é sinuosa

E os faróis chamaram a atenção

Ora sumindo no mato,

Depois, fazendo clarão,

Eram essas luzes que faziam

O povo tremer no chão!

 

Mesmo assim, continuou

A crença no "marciano"

Se apareceu em Varginha

Aqui, não seria engano

O E.T. de Comercinho

Era até atleticano!

 

Se fosse cobrar pedágio,

Decerto que o fazendeiro

Ficaria ainda mais rico

Do que no ramo leiteiro

Incentivando o turismo

E lucrando o ano inteiro!

 

Pois os artistas adoram

Visitar esses lugares

Veja bem, - Elba Ramalho,

Já viajou pelos ares

E também já foi "chipada"

Por seres interplanetares.

 

E, a Tiazinha, que viu

Numa noite meio escura

O dirigível da Globo

E foi aquela loucura

A imprensa toda alarmou-se,

Ai, meu Deus! - Quem me segura?

 

E um punhado de famosos

 Que vivem no mundo da lua

Gastando tanto dinheiro

Enquanto no olho da rua

Quantos não morrem de fome?

É a verdade nua e crua

 

 

 

 

Estaria Comercinho

Na rota dos marcianos,

"Um povo adiantado

Há alguns milhares de anos"

Que passeia pelo espaço

Inquietando os humanos?!

 

O que buscam lá na serra

Aquelas vis criaturas,

Será ouro, ou petróleo?

Por que agem às escuras,

Por que tanto interesse

Por aquelas pedras duras?

 

Por que se mostram a alguns

De uma certa maneira,

A outros, bem diferente

Será apenas brincadeira

Ou será uma ameaça

À humanidade inteira?"

 

Há quem jure em Comercinho

Ter visto o tal "invasor"

Com suas luzes brilhantes

Causando medo e pavor

Eu nunca vi, - nem acredito

Que exista disco voador!

 

Só estou cumprindo meu papel

Meu dever de cidadão

De comunicar este fato

Ao meu amigo João

Do Estado de Alagoas

Que requer informação

 

Sobre qualquer ocorrência

Por escrito ou visual

De "OVNI" ou, outro objeto

Do espaço sideral

João Caldas é do PL

Deputado Federal.

 

Irmãos, não estou mentindo

Simplesmente, adaptando

Realmente, a tudo isso,

Acabei vivenciando

E como adoro Comercinho

Lhe estou homenageando!

 

 

 

 



Escrito por doutorisa às 21h10
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